quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A VENDA DE CARROS USADOS CRESCERAM 14,5% DURANTE O MÊS DE MAIO

Os carros usados estão levando vantagem em relação aos novos. Com menos crédito aos consumidores, alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e obrigatoriedade dos itens de segurança, ficou evidente a vantagem dos usados sobre os novos. Para quem pretende trocar de carro, é a oportunidade de adquirir um carro usado, mas com melhor preço.

Os números de vendas e financiamentos deixam claro a diferença. Em maio, as vendas dos veículos caíram 7,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Nacional das Fabricantes de Automóveis (Anfavea). Na mesma análise, os usados cresceram 14,5%, informa a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

Dados da Cetip mostram que, em maio, foram financiados 533 mil veículos, uma queda de 6% em relação ao ano anterior. No detalhe, contudo, é possível perceber a mudança do perfil do consumo. O número de operações com veículos novos caiu, de 195 mil para 170 mil. Já os carros com quatro a oito anos de uso foram mais financiados. O número aumentou de 115 mil para 122 mil operações.
"Isso mostra um amadurecimento dos consumidores", afirma o consultor financeiro da Libratta, Rogério Olegário. Ele desaconselha que o consumidor troque de veículo com frequência. "A troca do carro é muita cara, há gastos com transferência, seguro e a própria desvalorização", afirma. Segundo ele, o mais recomendável é adquirir um veículo mais barato e guardar uma parte do dinheiro para investimento. No futuro, os rendimentos do dinheiro aplicado ajudarão a trocar de carro mais uma vez.

Juros
Essa escolha exige cuidado. "A conta vai depender da condição de juros, se os juros ofertados estão abaixo da condição de rendimento ou não. Normalmente, dificilmente o consumidor vai conseguir isso no investimento de curto prazo", afirma Mário Amigo, professor de finanças da Fipecafi.

Na dúvida, vale a recomendação clássica de qualquer financiamento: quanto menos tempo de financiamento, menos juros e melhor para o bolso do consumidor. "O brasileiro ainda tem a mania de só olhar para o tamanho da parcela e não para o juro", diz Amigo.
A taxa de juros para aquisição de veículos varia de 0,67% a 3,92% ao mês, segundo os dados mais recentes apurados pelo Banco Central com financeiras e bancos de montadoras. Vale a ressalva que esses números são uma média, que inclui novos e usados, o perfil do consumidor e as condições de compra. Os especialistas lembram que, apesar da vantagem comparativa no preço, os juros do financiamento dos usados costumam ser maiores que os do novos.

Outro item que costuma tirar o sono de consumidores é a desvalorização dos veículos. "É verdade que a depreciação tende a ser maior no primeiro ano. Mas, nos anos seguintes, ela pode ser pequena, dependendo do perfil do carro. Um veículo mais acessível, por exemplo, tende a ter um número maior de interessados, o que ajuda a manter essa cotação. Já nos carros mais caros, a tendência é inversa", diz Vitor Meizikas, analista da consultoria Molicar.